Como analisar concorrentes com os contratos públicos

Como analisar concorrentes em licitações com dados públicos do PNCP e de portais de transparência: quem vence, por quanto, onde e até quando o contrato vale.

Estratégia e gestão7 min de leitura

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Para analisar concorrentes em licitações, comece pelo que o próprio governo publica: o PNCP mostra os editais, os contratos, as atas de registro de preços e, quando o órgão publica o resultado, o fornecedor e o valor homologado de cada item. Com algumas horas de pesquisa por produto ou serviço, você descobre a faixa de preço que vence, quais empresas aparecem sempre e em quais órgãos, e quando os contratos atuais terminam. Tudo com dados abertos, sem precisar perguntar a ninguém.

O que dá para saber sobre um concorrente com dados públicos

A Lei 14.133 manda divulgar no PNCP, de forma centralizada e obrigatória, os atos das contratações. O portal reúne, entre outras informações, os editais e avisos de contratação, as atas de registro de preços, os contratos e termos aditivos (art. 174, § 2º). Os dados seguem o formato de dados abertos (art. 174, § 4º). Os contratos e aditamentos também precisam ser divulgados no PNCP para ter eficácia (art. 94).

O que você quer saberOnde olharO que procurar
Quem venceu e por quantoPNCP: contratação e resultado dos itensFornecedor, quantidade e valor unitário homologados
Preço registrado e prazoPNCP: atas de registro de preçosFornecedor, preço por item, vigência
Contrato assinadoPNCP: contratosValor, objeto, vigência, órgão contratante
O que foi empenhado e pagoPortais de transparência do enteValores por fornecedor, datas
Preços de compras federaisPesquisa de Preços do Compras.gov.brValores homologados por item
Sanções do concorrenteCeis e Cnep (a lei prevê o acesso pelo PNCP, art. 174, § 3º, V)Impedimentos e punições vigentes
Dados da empresaCadastro público de CNPJAtividade, porte, tempo de abertura

O governo federal mantém uma versão gratuita e sem login da Pesquisa de Preços do Compras.gov.br, que permite consultar valores de compras e contratações homologadas no sistema. O Portal de Dados Abertos permite filtrar por código de material (CATMAT) ou de serviço (CATSER) e baixar histórico de preços. A lei também prevê que o PNCP ofereça painel para consulta de preços (art. 174, § 3º, II); confira o que está disponível quando for pesquisar. Para o passo a passo do portal, veja PNCP: o que é e como pesquisar.

Como levantar os resultados no PNCP

O ponto de partida é a licitação que já terminou. Siga esta ordem:

  1. Defina o objeto. Escolha um produto ou serviço por vez, com os sinônimos que os órgãos usam. Veja palavras-chave para buscar licitações.
  2. Pesquise contratações encerradas do seu objeto, nos estados onde você atua, no período dos últimos 12 meses ou mais.
  3. Abra cada contratação e veja os itens. Quando o órgão já publicou o resultado, o PNCP mostra o fornecedor e os valores homologados.
  4. Complemente com atas e contratos. Um pregão por registro de preços gera uma ata, com fornecedores e preços por item, e depois contratos ou empenhos.
  5. Anote o edital e o termo de referência de pelo menos algumas delas. As exigências (prazo de entrega, marca, garantia) explicam por que um preço é baixo ou alto.

Nem toda contratação tem resultado publicado no mesmo dia. Se o resultado não aparece, o portal onde a disputa aconteceu e a ata da sessão costumam trazer o vencedor.

Como organizar a planilha de concorrentes

Uma planilha simples, com uma linha por item vencido, resolve. Sugestão de colunas:

  • fornecedor (razão social e CNPJ);
  • órgão, município e UF;
  • objeto e item, com a especificação resumida;
  • quantidade e valor unitário homologado;
  • valor unitário estimado pelo órgão, se constar do edital;
  • desconto sobre o estimado (calculado);
  • modalidade e data do resultado;
  • vigência da ata ou do contrato.

Exemplo hipotético: uma empresa de Londrina que vende material de limpeza quer entrar nos pregões de prefeituras do Paraná. Para o item "detergente líquido 500 ml", ela levanta cinco resultados recentes, com valores unitários de R$ 1,95, R$ 2,10, R$ 2,20, R$ 2,35 e R$ 2,50, e valor estimado de R$ 2,80 nos editais. A mediana é R$ 2,20, cerca de 21% abaixo do estimado. Se o custo completo dela (produto, frete e tributos) é R$ 2,05 por unidade, a mediana deixa R$ 0,15 de margem, perto de 7%, e os preços de R$ 1,95 ficam abaixo do custo. Ela decide disputar os pregões em que o preço estimado e o frete cabem na conta, e ignorar os outros.

O que os dados mostram

Depois de 30 a 50 linhas, os padrões aparecem:

  • Faixa de preço. A mediana e a variação mostram onde a disputa costuma fechar. Prefira a mediana à média, porque um preço atípico distorce a média.
  • Desconto típico sobre o estimado. Ele mostra quanta margem o órgão deixa e se vale a pena disputar aquele tipo de item.
  • Concorrentes recorrentes. Quem aparece em muitos órgãos provavelmente tem estrutura de entrega na região. Quem aparece só uma vez pode ter dado um preço fora da curva.
  • Território de cada um. Mapeie quem vence em quais municípios ou estados. Isso orienta onde você tem chance de entrar.
  • Datas de fim de contrato. Serviços e fornecimentos contínuos podem durar até 5 anos e ser prorrogados até 10 (arts. 106 e 107 da Lei 14.133). Um contrato próximo do fim pode indicar uma nova licitação, ou uma prorrogação. Veja prorrogação de contratos.
  • Tamanho dos lotes e das atas. Se os concorrentes só ganham lotes grandes, um nicho de itens pequenos pode ser a sua entrada.

Como usar a análise na sua proposta

A análise serve para decidir e para calibrar, não para copiar preço.

  1. Calcule o seu custo primeiro. O preço do vencedor depende da estrutura dele. Monte o seu custo completo, como em formação de preço para licitação, e só então compare.
  2. Defina o piso antes da disputa. Os dados dizem onde a disputa costuma fechar; o seu custo diz até onde você vai. Veja estratégia de lances.
  3. Ajuste o filtro de licitações. Se o desconto típico é maior do que a sua margem, descarte esse tipo de item e foque no que fecha acima do seu piso. Os critérios estão em como escolher em quais licitações participar.
  4. Confronte com o preço de referência do órgão. A diferença entre o estimado e o praticado ajuda a avaliar se a pesquisa de preços do órgão é confiável, como em pesquisa de preços do órgão público.

Limites e cuidados com os dados

  • Preço homologado não é preço pago. A ata de registro de preços não obriga o órgão a contratar (art. 83 da Lei 14.133). O valor registrado pode nunca virar compra.
  • Condições mudam o preço. Frete, prazo de pagamento, garantia e quantidade mínima variam entre editais. Compare itens equivalentes.
  • Item não é lote. Em licitações por lote, o preço do item pode refletir a compensação entre itens.
  • Dados desatualizados ou com erro. Os órgãos preenchem as informações, e o resultado nem sempre é publicado no mesmo dia. Confirme os casos importantes no edital e na ata.
  • Cuide dos dados de pessoas. Analise empresas e contratos. Dados de pessoas físicas, como sócios, têm regras próprias de proteção.
  • Nunca combine proposta com concorrente. Pesquisar dado público é legítimo. Ajustar preços ou lances com outro licitante pode configurar fraude à licitação (art. 155, IX, da Lei 14.133), sujeita às sanções do art. 156: multa, impedimento de licitar e declaração de inidoneidade.

Rotina mensal de análise

  • Escolha 3 a 5 objetos principais.
  • Atualize a planilha com os resultados do mês no seu território.
  • Marque os contratos que terminam em até 6 meses.
  • Revise a mediana de preço e o desconto típico de cada objeto.
  • Consulte o Ceis e o Cnep antes de tratar uma empresa como concorrente forte ou como possível parceira.
  • Anote o que mudou na estratégia: itens a evitar, órgãos a prospectar e preços-piso.

Fazer isso à mão funciona, mas consome horas. CertamIA lê as licitações do PNCP todos os dias, avisa por e-mail as que combinam com o perfil da sua empresa e mostra os contratos e os preços praticados no mercado em que você atua, para a análise começar pronta.

Perguntas frequentes

Onde vejo quem ganhou uma licitação?

No PNCP, na página da contratação, quando o órgão já publicou o resultado dos itens, com fornecedor e valor homologado. Os contratos e as atas de registro de preços publicados também trazem o fornecedor. O portal onde a disputa aconteceu e o diário oficial são fontes complementares.

Dá para saber quanto um concorrente fatura com o governo?

Só em parte. Os dados públicos mostram contratos e valores homologados, mas a ata de registro de preços não obriga o órgão a comprar (art. 83 da Lei 14.133) e os contratos podem ser alterados. O que foi de fato empenhado e pago aparece nos portais de transparência do ente.

Analisar concorrentes em licitação é legal?

Sim, quando você usa informações públicas, como contratos, atas e resultados. Combinar preços ou propostas com concorrentes é outra coisa: pode configurar fraude à licitação e gerar sanções (art. 155 da Lei 14.133).

Como descobrir quando o contrato de um concorrente termina?

O contrato e a ata publicados trazem o prazo de vigência. Serviços e fornecimentos contínuos podem durar até 5 anos e ser prorrogados até 10 (arts. 106 e 107), então a data de fim ajuda a prever quando o órgão fará uma nova licitação.

Conteúdo informativo. Confira sempre o edital e a lei vigente.

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